domingo, 20 de fevereiro de 2011

Bestiário: Unicornis

Desde o início dos tempos os homens tentam entender o mundo a sua volta. A princípio, o medo é o fogo que os impulsiona a compreender aquilo que os assusta, numa tentativa de descobrir um meio de terminar com o tormento. De seres míticos aos naturais, os bestiários de Belregard se esforçam para explicar os seres que assombram nossa terra. Humanoides ou não, os catálogos são imensos e as interpretações variadas. Um sábio dos tempos do Sangue é aceito como o maior estudioso da vida em Belregard, seu nome é Plínio, o Velho.

As referencias aos seres naturais sempre vem acompanhadas de sua representação simbólica. Uma tentativa de entender o papel destes seres dentro da ordem imposta pelo Criador. Por mais que as representações sejam fantasiosas, em alguns dos casos, não foge a visão do camponês ou do cavaleiro, a possibilidade de tais atributos sobrenaturais serem reais.

~~~~

Representação do Bestiário de Plínio, o Velho.


O Unicornis é um animal mítico de grande influência dentro da cultura de Belregard. Muitas vezes representado na forma de um bode, um cão ou um cavalo, sua marca é um único e imenso chifre que brota do meio de sua testa. Algumas vezes confundido com o Monocerus, por conta da forma variável, diferencia-se basicamente pela representação mais pura de uma forma animal.


Forte, resistente e saudável, o Unicornis é capaz de curar doenças e venenos e seu chifre é um verdadeiro objeto de poder. Dizem que nos tempos das Revelações, manadas inteiras destes animais majestosos corriam pelos campos. O homem, ainda ignorante de muitas coisas, os caçou como parte da limpeza do mundo.

Hoje, os raros Unicornis, são extremamente valorizados e os locais onde vivem são tidos como verdadeiros santuários intocados. O que gera uma interpretação falaciosa para alguns fanáticos. Certos homens defendem o extermínio destes seres, acusando-os como defensores de locais selvagens, impedindo que o homem lá chegue. Para outros, ele vai muito além. Seus traços poderosos remetem ao próprio Criador e seu tamanho diminuto nada mais é do que uma referência a humildade de nosso Pai, que assumiu a forma de um mortal para nos guiar.

Aqueles que ainda caçam estes seres, dizem que a única maneira de apanha-los é na companhia de uma virgem. Mulheres puras são capazes de atrair os Unicornis, que passam a agir como verdadeiros guardiões desta pureza humana. Os opositores tem uma visão distorcida, de que eles representam a luxúria e seu único objetivo com as virgens é o da cópula, gerando uma raça de novos Selvagens. Usando-se destas virgens, os caçadores são capazes de distrair o animal e assim mata-lo sem resistência. Seus chifres são apreciados e a raspa, misturada à comida, é um poderoso afrodisíaco.

Verdade ou não, estes seres são raros e sua presença seria capaz de fascinar e assustar a qualquer mortal.  

Representação que se opõe à pureza, mostrando um Unicornis "alimentando-se" do seio de uma virgem.

6 comentários:

  1. Ótimo post!! Gosto muito de bestiários!

    ResponderExcluir
  2. Como sempre, fizestes um excelente trabalho!

    ResponderExcluir
  3. Mu - Obrigado, cara!

    Frodo - As interpretações dos seres, naturais ou não, são escabrosas de mais. HAha!

    Odin - Agradeço novamente, meu nobre.

    ResponderExcluir
  4. Em agumas lendas o unicornio é visto como simbolo de fertilidade (ou simbolo falico)

    ResponderExcluir
  5. É exatamente ai que entra a questão do chifre como afrodisíaco!

    ResponderExcluir